domingo, 27 de setembro de 2009

VBR-Belgium 5.7x28mm B2F 40 e o Conceito de Fragmentação Controlada




A munição de 5.7x28mm SS109 da metralhadora FN P90 e da pistola FN Five Seven, projetada para romper blindagens corporais, leva projéteis de pouca massa e diminuto diâmetro o que importa em baixíssimo poder de parada. Teoricamente, o comprimento do projétil alongado da munição de 5.7x28mm, em ocorrendo o efeito de tombamento, garantiria grandes cavidades permanentes e possíveis ondas de choque e pressão capazes de incapacitar rapidamente. Entretanto, sabemos que o efeito de tombamento (ou capotagem), conquanto desejável, nem sempre acontece na prática. Aqueles que dependeram de tombamento e fragmentação para ter algum “stopping power” garantido nos disparos com munição de 5.56x45mm OTAN morreram muitas vezes com seus rifles nas mãos, mesmo depois de terem efetuado disparos certeiros no peito dos seus oponentes nos teatros de operações pelo mundo afora e nas incursões policiais em áreas dominadas pelo crime organizado.

Para sanar esse problema da imprevisibilidade da ocorrência dos efeitos de tombamento e fragmentação em relação à munição de 5.7x28mm SS109, a VBR-Belgium desenvolveu a tecnologia de fragmentação controlada de projéteis.

A munição de 5.7x28mm é utilizada na pistola belga FN Five Seven, que se cogitava ser a arma de uso pessoal do ex-presidente estadunidense George W. Bush e se vê na foto ao lado. Este calibre ganhou a fama de “cop killer” e foi proibido há vários anos nos Estados Unidos.


Dividido em duas partes ligadas por um eixo delgado as quais tendem fortemente a tombarem e se desprenderem uma da outra após o impacto com o alvo, seguindo rumos distintos no interior deste, o projétil alongado de apenas 40 grains (2.59 gramas) da munição VBR-Belgium 5.7 B2F 40 provoca cavidades permanentes mais amplas que o da 5.7x28mm SS109. As ondas de choque hidrostático e pressão que decorreriam do processo de fragmentação controlada de projéteis tenderiam, então, a incapacitar oponentes mais rapidamente. Esta característica garantiria à munição algum poder de parada e a tornaria adequada à defesa pessoal, segundo os prospectos da brilhante fabricante belga de munições.


O BOPE, do Rio de Janeiro, possui algumas unidades da submetralhadora FN P90 em 5.7x28mm.


Assim, depois de romper blindagens corporais, a munição não faria apenas feridas nem causaria a morte após longos minutos ou horas dentro dos quais o alvejado permanece capaz de atirar e causar grandes danos.


Munição VBR-Belgium 5.7x28mm B2F 40.

A VBR-Belgium lançou também munições em 4.6x30mm com projéteis desenvolvidos para tombarem (ou capotarem) e se fragmentarem controladamente dentro do alvo de modo análogo ao visto em relação à munição 5.7x28mm B2F 40. Falamos da configuração 4.6 B2F do calibre alemão usado na submetralhadora HK MP7 e na pistola HK UCP.

Como bônus em relação a essa linha de estudos, outro tipo de fragmentação controlada de projéteis vem sendo utilizado em munições especiais da VBR-Belgium que tendem a corrigir a margem estatísticas de erros decorrentes de uma posição de tiro contrafeita, sem boa base, sem empunhadura ou postura corporal ideais. Os erros causados pela dificuldade que cidadãos civis, diferente dos operacionais, geralmente enfrentam ao ter que lidar com controle de ansiedade em situações de defesa são da mesma forma compensados e, por fim, a munição é tida como ideal para que pessoas com pouca experiência e adestramento em tiro possam se defender de agressões. Destarte, o conceito conflui para o mesmo tipo de resultado vislumbrado em relação ao desempenho balístico do RT .410 “Judge”.


Efeito da munição VBR-Belgium 5.7x28mm B2F 40 em gelatina balística. Vê-se, bem ao centro, o ponto de capotagem (onde se forma a "tumbling zone") e fragmentação, e, a patir dali, as trajetórias divergentes das duas partes do projétil, formando um "Y".


Uma dessas munições para defesa pessoal da empresa belga requer o uso combinado de um kit de conversão para pistolas Glock 17, 19 e 26. Trata-se da VBR-Belgium 7.92x24mm S-3P, notação dentro da qual “S” significa “Shotgun”.

Os projéteis destas munições se fragmentam controladamente em três partes ainda fora do alvo, podendo atingi-lo em até três pontos distintos. No vídeo abaixo, vê-se como funciona o conceito e o seu efeito a 4, 7 e 10 metros.




Este mesmo tipo de fragmentação controlada, que funciona tanto em canos raiados como em canos de alma lisa, é utilizado para transformar revólveres de caça no calibre .44 Magnum em armas adequadas à defesa residencial, segundo a fabricante.

Na foto abaixo, vê-se um belo Smith&Wesson modelo 29 ao lado de um remuniciador com munições .44 Magnum CF3.

O forte da VBR-Belgium continua sendo as munições AP com “sabots” em .45 ACP e 9mm PARA, contudo, o ideal de “consertar” a munição de 5.7x28mm SS190, se não chegou ainda ao seu apanágio, parece estar muito próximo disto com a munição VBR-Belgium 5.7x28mm B2F 40, e os fundamentos deste "conserto" poderão, ainda, ser aproveitados em outros calibres que apresentam o mesmo tipo de limitação.


Um comentário:

Sthompanattyon disse...

Conheço alguns calibres de fragmentação que são capazes de Gerar Perfurações em coletes Balísticos com 26 Placas de Cerâmica.
A Notável SubMachine e Pistol 5.7x28/40 são alguma dessas Obra de Arte Bélica.